Se no início do ano, eu optei por começá-lo “desligado” das redes sociais e desse overload de informações que encaramos na palma das mãos, dessa vez foi um pouco diferente.

No último sábado eu sofri um assalto. Essa é a história, nua e crua, ponto. E sim, eu poderia não estar aqui para contar outras histórias, afinal, por alguns minutos minha vida existir ou não estava nas mãos de outra pessoa.

O sentimento em si, vinculado ao fato do quanto não somos muita coisa, como pensamos. Perdemos por coisas insignificantes (um celular, um carro ou uma briga de torcida, por exemplo podem gerar tragédias irreparáveis). Às poucas coisas as quais depositamos tamanho valor, que não valem nada e, por fim, ao fato de toda vez que vejo uma motocicleta, meu coração dispara, pois a memória do último sábado está bem viva aqui.

Esse tempo desligado me proporcionou algumas reflexões, que sozinhas não percebo necessidade de um artigo, mas que ainda merecem atenção.

Nota importante: esse texto não segue uma linha de raciocínio comum. São pensamentos diários que não cabem em um texto próprio, mas que merecem atenção.

Clichê: o tempo voa

Renato estava errado. Não temos todo tempo do mundo. As horas voam ou desaprendemos a viver o tempo todo, com o passar do tempo.

Esses dias, voltando de Uber para casa (uma viagem de 50 quilômetros, durante uma madrugada, após um dia intenso de trabalho), ao me deparar que já estamos flertando com Outubro, fiquei assustado.

Aos 31 anos, considero tempo como meu maior ativo. Ou melhor, o meu maior objetivo de vida.

Estudo, trabalho, treino e vivo em busca por tempo. A sensação é de que as 24 horas do dia diminuíram, dormimos menos, relaxamos menos, nos alimentamos em menor tempo e mesmo assim, as horas parecem mais curtas.

Listar uma rotina, testar os hábitos e corrigir o curso das atividades é uma solução eficaz.

Ou agimos sem pensar ou pensamos demais. O fato é que sentimos menos.

Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as porcentagens, temporariamente. E esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos.

Por que fazemos o que fazemos?

Me lembro quando aconteceu, foi em 2013, eu estava no meu antigo em que trabalhava. Estávamos em reunião, quando nos foi apresentado o novo posicionamento da marca da empresa e com isso novos: Missão, Visão e Valores, mais precisamente, a missão foi substituída por Propósito.

Eu recebi essa mudança com muita empolgação, afinal, naquele instante a palavra Propósito apresentava maior intensidade que Missão, que por si só também é bonita, mas já batida, talvez ultrapassada.

Quando penso em missão, visão e valores, de verdade, me perdoem os empreendedores, mas penso em algo acadêmico, esquematizado e quadrado. Não tem mais fluência nos dias atuais – o que não está errado, porque o clichê mais dito nos últimos tempos é “estamos em constante mudança”.

Confesso que “propósito” também já está ultrapassado e não sei se por conta da maneira exagerada com que o termo é empregado no nosso cotidiano ou porque dada a tecnologia e informação, tendemos a nos cansar mais rápido das coisas e também palavras fortes.

O fato é que o que está em jogo não é a palavra em si, tanto para a empresa quanto para as pessoas, a palavra é mero coadjuvante, o principal é o que você quer demonstrar e o que você está demonstrando.

Talvez nessa enxurrada de termos bonitos, plásticos e que viram hashtags de textos e posts, seja importante a gente reduzir a importância da palavra e dedicar maiores esforços ao que desejamos de fato transmitir seja como pessoa ou como empresa. 

Por que a dificuldade em falar sobre nossos problemas?

Quem nunca se sentiu na necessidade em se abrir com alguém e teve receio de compartilhar o problema por conta do que a outra pessoa pudesse achar? O “não me julgue” convive e nos atrapalha no discernimento de como devemos encarar nossas vidas e nossos problemas.

Qual foi a última vez em que você se sentiu livre para conversar com algum amig@ sobre algum problema que esteve passando?

Seja financeiro, amoroso, sexual, trabalho, família, filhos, etc? Não importa. Normalmente optamos por guardar. Ignorar, guardar para si ou deixar para depois é um risco que gostamos de nos permitir.

Não falar sobre nossos problemas apenas tornam eles ainda maiores. É necessário encará-los com todos os nossos artefatos, inclusive através do diálogo.

Do outro lado da moeda, quando estamos do outro lado, será que demonstramos abertura para receber esse tipo de papo, sem deboche?

É difícil para caramba, né? Mas dá pra mudar.

Desconectar é saudável, mesmo que a sua causa não tenha sido das melhores, a consequência foi positiva.

Dica de leitura: Por que você dedica tanto tempo para tantas coisas, mas cada vez menos tempo ao que realmente ama?

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