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Durante muito tempo eu refleti se deveria ou não escrever sobre esse tema, muito pelo fato de não ser um profissional da área e também pelas recentes mudanças que estão em curso.

Mas apesar de não ser professor e hoje exercer uma atividade profissional extremamente longe da sala de aula, eu sou um consumidor assíduo de conhecimento e após tantos anos consumindo, me sinto credenciando a tratar o tema.

Antes de mais nada, o meu investimento

Só de faculdade, foram seis anos, divididos em dois cursos.

Não fiz o curso técnico profissionalizante, mas acrescento à soma, mais dois anos de cursinho pré-vestibular.

Continuando a conta, mais três anos de Ensino Médio, oito anos de Ensino Fundamental, um ano de Pré-escola e outro de Jardim da Infância.

Considerando uma média de 4 horas/ dia, 200 dias/ano, por 21 anos, tenho um total de 16.800 horas dedicadas e investidas em educação, ou então 700 dias completos de vida.

O investimento foi e ainda é altíssimo, tanto em carga horária, quanto financeiramente.

O ponto de reflexão é análise sobre ao período investido em educação e como ele percorreu durante essas últimas décadas. Hoje, eu tenho 30, dos quais 21 eu passei dentro de sala de aula.

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A minha visão sobre Evolução da Tecnologia X Método de Ensino

Foi um tempão vivido em sala, e apesar de não lembrar como usar muitas coisas vistas na jornada educacional, como a Constante de Avogadro, as características e autores da literatura no século 19 ou mesmo como realizar o cálculo da massa molar, eu me lembro bem do formato de sala de aula que eu vivenciei durante todo esse período, desde a escola de formação fundamental até mesmo a faculdade.

Carteiras enfileiradas, professor como autoridade-mor da sala de aula, um quadro gigante, que durante o tempo deixou de ser negro e a giz, para se tornar branco com canetões e auxílio de slides.

No processo de chamada, uma coisa mudou, lembro queno período do Ensino Fundamental eu era um número e com o passar do tempo,virei meu nome.

Deixei de ser o número 27 ou 28 para ser o José Carlos.

O mundo evoluiu muito do fim do século passado para cá

Nesses 21 anos vividos na sala de aula, muito do que é o mundo hoje passou por uma transformação gigante, se hoje temos conexão de banda larga, até mesmo em nossas mãos, no passado eu tive de ir à biblioteca para fazer trabalhos escolares.

Hoje a tecnologia se tornou imprescindível no processo de aprendizado.

Com essa virada tecnológica que tivemos, o método de ensino precisou acompanhar também para não ficar para trás. E o sentimento foi justamente o contrário, que não acompanhou.

Volume de informações altíssimo comparado há 10 anos atrás

Também como benefício dessa evolução tecnológica e também da internet, o volume de informações que absorvermos hoje é absurdamente maior do que dez anos atrás. E esse crescimento tende a ser cada vez mais exponencial.

E nem é preciso ser expert para concluir que um volume alto de dados num curto tempo para receber, processar e assimilar não é nada produtivo.

Nossa curva de concentração

Créditos: VisualHunt.com

Conseguimos nos manter em concentração durante um certo tempo e depois naturalmente perdemos o foco, e isso não ocorre apenas durante uma determinada aula. No dia a dia é assim, em uma conversa longa sobre um determinado no tema, no trabalho enquanto analisa números, na escrita, na revisão de um texto ou qualquer outra atividade. Se trata da nossa curva de concentração.

Com tanta informação e tecnologia em nossas mãos,podemos dizer que nossa capacidade de concentração se vê mais dividida.

Cursos Online X EAD Superior

Esses dias estava conversando com um amigo sobre um curso online que estou fazendo, cada aula tem média de 10 minutos, algumas com tempo menor de cinco ou seis minutos e outras com, 15 a 20.

Esse tipo de curso tem duas vantagens, o aluno consegue administrar melhor o seu tempo e como a mensagem a ser transmitida é objetiva e curta, consegue manter o grau de concentração alto, durante o tempo todo. Dessa forma a absorção de conteúdo é mais eficaz.

A curva de concentração na aula presencial

Muitas vezes dentro de sala, a aula é dividida em dois blocos, separados por um intervalo de 15 a 20 minutos, que no caso da faculdade, os alunos utilizam para comer algo, resolver algum problema em secretaria, buscarem alguma impressão ou na biblioteca. Além do volume de informação/ tempo ser alto, não há tempo para descanso, tornando improdutivo o restante da aula.

No caso das crianças, o processo funciona da mesma maneira e hoje elas são mais imediatistas em sala, se não explorarmos esse gás todo da maneira adequada, ele acaba se perdendo, e essa energia passa a ser direcionada para outras atividades, fugindo do aprendizado.

Celular não pode ser visto como vilão dentro de sala de aula

Lembro de uma aula na faculdade, quando um professor pediu a um aluno que guardasse seu celular.

O celular hoje é um item imprescindível para qualquer pessoa. Assim como não saio de casa sem calças, também não saio sem celular – a não ser que queira ficar desconectado desse mundo digital.

E não se trata de falta de respeito com o professor, é um hábito orgânico. Acredito que seja necessária uma concentração de energia em como explorar o celular da melhor maneira durante as aulas.

Cultura da recompensa x Sistema de avaliação

Na sala de aula criamos a cultura do reconhecimento a todo momento. O sistema de avaliação, que deveria ser algo positivo, não é encarado assim.

Já no primeiro dia de aula queremos saber exatamente quais serão as regras do jogo, as datas das provas, o peso de cada uma, a atividade extra que complementará a nota.

Isso me faz pensar: não deveríamos nos preocupar com o que será ensinado?

Como disse Rubem Alves:


“…tudo, em nossas escolas, está orientado no sentido de testar os saberes. A questão do amor pelo objeto – seja a geografia,a história, as ciências – é estranha aos nossos objetivos educacionais.  Não admira que, passados os vestibulares,quase tudo seja esquecido e os livros sejam esquecidos nas estantes. Às escolas e aos pais pouco importa o prazer que o aluno possa ter. O que importa é o boletim.”

Em outro artigo, publicado em 2009, Rubem Alves propôs que as avaliações deveriam ser aplicadas, sem a necessidade de o aluno colocar o nome na prova, assim estaríamos avaliando o processo de aprendizado da maneira adequada.

Não se engane

Se preparar apenas para uma prova é igual decorar algumas falas para uma entrevista. Pode até obter um resultado no curto prazo satisfatório, mas no dia a dia, uma lacuna não estará preenchida e somente ao tempo será possível o entendimento das consequências disso.

Como um relacionamento que chegou ao fim



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Quando você decide fazer uma graduação ou pós-graduação, existe todo um processo de construção para tal. Como se fosse um relacionamento.

Tem todo processo de conhecimento do curso e da instituição, conquista e a realização. E assim como um relacionamento, ele é regido de grandes expectativas, sobre até onde poderemos seguir desta maneira.

Quando você ouve de alguém, meses depois ou mesmo no final do semestre acadêmico: “não vejo a hora de me livrar disso”, no mínimo, é gerado incômodo. O investimento é alto. O tempo doado é valioso e de repente a pessoa quer se livrar disso?

É no mínimo estranho, não deveria fazer sentido e é possível que nem faça. Se fosse um caso isolado, seria mais simples o processo de busca por um antídoto, que repare ou amenize esse sentimento. Só que de repente, se torna comum esse dizer em outras pessoas.

Você já deve ter ouvido alguém falar essa frase, certo? Ou na pior das hipóteses, esse alguém é você!

Os alunos têm culpa por isso? Sim, não há como negar, porém as instituições também têm sua parcela na conta. Tem que ser além do diploma ou um emprego em uma empresar reconhecida mundialmente. Estamos falando de aprendizado!

O Aprendizado deve ser construído com engajamento dos alunos

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O aprendizado, muitas vezes segue o processo unilateral, pois o professor detém o conhecimento, enquanto o aluno tem a expectativa de obtê-lo.

Devemos sair do processo de transmissão, que é unilateral, e migrarmos para o processo de construção contínua, interativa e iterativa.

Os alunos não podem ser espectadores ou coadjuvantes, eles precisam de protagonismo em sala, de colocar a mão na massa para o seu desenvolvimento. Quanto maior o engajamento dos alunos, melhor se torna o processo de construção do conhecimento.

Nota

É importante ressaltar que se trata da minha opinião sobre o tema. Não que é esteja com a razão.

Como essa área é uma relação que envolve bastante amor, gostaria de despertar em você a reflexão. Formado ou em curso, o que pensa a respeito do tema?

Comenta aí e vamos marcar um café?

Até a próxima!

JC

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