Calma lá! Antes de mais nada, não me refiro ao financiamento do imóvel ou entrada no INSS ou qualquer outro significado que as pessoas, costumeiramente, utilizam do termo “entrada na caixa”. Está em letra minúscula, pois é outra caixa que temos o hábito de entrar ou mesmo das pessoas nos colocar lá.

É um fato curioso, mas ele está aí, inserido em nossa sociedade.

Desde quando comecei a trabalhar lá em 2007, além de empatia, outra expressão que sempre ouvi falar é que eu precisava sair da caixa, me reinventar como profissional.

(Logo eu, que havia começado a trabalhar naquela época e já estava fora do padrão que era esperado. O fato é que esse padrão – fora da caixa, até hoje não está bem esboçado – é abstrato).

Se hoje tenho 31, ouço falar há pelo menos 12 anos, que preciso pensar fora da caixa, ser fora da caixa e agir fora da caixa.

Eu confesso que, talvez por osmose, ou então por imposição à minha volta, eu passei a aceitar que eu estava fora da caixa.

O grande ponto em questão é: como eu fui parar dentro da caixa? Como era minha vida fora da caixa?

De verdade, eu não sei como isso aconteceu, mas se todo mundo está me falando isso, vale no mínimo pensar sobre o tema.

Afinal, o que é estar dentro da caixa?

Certo ou não, todo meu processo de aprendizado se dá sempre do ponto de partida e nunca da linha de chegada – funciona assim comigo. Ou seja, se alguém me oferece um caminho para pensar e agir “fora da caixa”, eu preciso, antes de mais nada, saber o que é estar dentro dela.

Premissa básica: sempre que tenho alguma dúvida, escrevo no Google, pressiono a tecla Enter e como se fosse mágica, tenho ao menos um direcionamento.

O fato mais curioso é que apesar de ser algo conclamado que estamos dentro da caixa, eu não consegui achar nada tão claro sobre estar dentro da caixa na internet.

Engenharia reversa:

Uma forma de entender o sentido de algo é justamente compreendendo o seu oposto. Sabendo o significado de ser uma pessoa fora da caixa, é possível identificar o que é estar dentro da caixa

Estar dentro da caixa é não ser criativo, é a falta de repertório para resolver problemas (dos simples aos mais avançados), é apresentar soluções mais do mesmo.

Será que somos pessoas dentro da caixa?

Lembra o que eu falei no início do parágrafo anterior? Sobre o meu ponto de partida no aprendizado? Se não lembra, arrasta ali, leia e depois volte aqui.

Lembrou?

Eu sempre gosto de partir do princípio. Nesse caso se estou falando que pensar fora da caixa é resolver os problemas de forma criativa, então o primeiro ponto que gostaria de destacar é: sabemos realmente qual é o problema?

Acredito que boa parte da geração na casa dos 30 – 35 anos, se recorda do acústico da Legião Urbana. Apesar de não ouvir mais com tanta frequência (somente quando toco violão nos churrascos dos amigos), algo me marcou muito daquela acústico, quando eu ainda era apenas um menino que não sabia exatamente onde gostaria de chegar.

“Vocês dizem que eu não tenho a resposta. Eu não sei qual é a pergunta? ”

.

Como fomos parar dentro da caixa?

Se pensar fora da caixa está relacionado a ser criativo, em qual momento perdemos a nossa criatividade?

Vou citar três passagens da minha vida, de quando eu era mais novo – há pelo menos 20 anos atrás:

  1. Um trabalho escolar, em que eu fiz um jingle de uma marca de papel higiênico – “Star Paper” – a música era bem legal;
  2. Quando eu jogava bola na rua de casa e fazia um gol, era como se eu estivesse ganhando uma Copa do Mundo pelo Brasil;
  3. O jogo de tupperware e duas colheres de pau da minha mãe, que formaram a minha primeira bateria, quando tinha o sonho de ser um rockstar.

Eu juro que não bati a cabeça, não sofri nenhum acidente. Algo aconteceu e hoje não lembro quase em nada essa criança que criava qualquer coisa com pouco – talvez a música esteja em mim ainda, apesar de não arriscar mais cantar. Hoje prefiro as cordas, rola uma segurança maior.

A última frase acima saiu de forma espontânea, mas ela responde muita coisa sobre o que nos tornamos.

A gente gosta de se sentir seguro, seja violão, contrabaixo ou mesmo na guitarra, eu estou na minha zona de conforto, onde eu domino o que estou fazendo – logo, com o tempo, isso foi tirando minha liberdade em cantar – a famigerada zona de conforto. E quando éramos criança, não sabíamos o que era isso, portanto, viajávamos mais na nossa criatividade.

O medo do julgamento do próximo

Isso é uma coisa extremamente complicada. Temos uma dificuldade enorme de lidar com isso.

“Será que se eu fizer isso, eles irão gostar? ”

Talvez esse seja o pensamento mais nocivo da nossa geração, pelo menos no top 5 ele está.

Começa logo quando somos crianças e começam a se formar os pequenos grupos e buscamos nossa aceitação. Colocamos nossas convicções e interesses de lado, diante da possibilidade de fazer parte de algo maior.

Interpretando dessa maneira, parece algo a ser admirado, mas é aí que começa um processo em que abrimos a caixa para nos alocar dentro dela.

Existem alguns comportamentos, que devemos evitar, até para manter o bem-estar e convivência com o outro, mas sem permitir que se torne algo rotineiro e vou mentir não, é difícil demais – falta um pouco de egoísmo. Ou melhor, um equilíbrio entre os interesses próprios e da comunidade.

E como tudo na vida. Ter equilíbrio não é algo simples.

Yes, We Can (t)

Fazendo um trocadilho com uma das frases mais famosas da nossa geração.

Hoje temos muitos cursos sobre vários temas e muitos afirmando que não sabemos agir de determinada maneira.

“Saia da caixa, seja um profissional criativo” – anúncios semelhantes a esse facilmente são criados.

E aí me pego pensando, “como uma empresa que não me conhece, nunca teve contato ou me entrevistou, já concluiu que eu sou uma pessoa dentro da caixa, sem criatividade? ”

E o pior de tudo: “como eu concordei com isso? ”

A crítica não é ao anunciante, ele está aí porque existe uma coisa chamada “Lei da Oferta e Demanda”. A reflexão é nossa.

Seguindo a hype de citar séries famosas para rolar aquela familiaridade.

Recentemente comecei a assistir Game of Thrones, em pouco mais de um mês já estava aguardando a oitava e última temporada. Foi uma maratona e tanto! E agora apenas estou a apenas um episódio de terminar a megaprodução.

Lembro de um episódio em que todos estavam questionando a lealdade do Jon Snow, e logo em seguida, ele fora declarado como Rei do Norte.  Apesar de algumas pessoas duvidarem, poucos instantes depois todos estavam apoiando-o e seguindo aquilo como regra – alguém falou que ele deveria ser o líder (nesse caso, pelo menos na minha opinião – eles estavam certos).

É mais ou menos isso que acontece nós, nos dias atuais. Não temos certeza de algo, até alguém nos falar aquilo e de repente, se tornar uma regra em nossas vidas.

Lembra da frase do Renato Russo, citada alguns parágrafos atrás? Pois é! É importante essa checagem.

Toda vez que eu pego o violão, eu crio um arranjo diferente, apesar de já não ter banda ou pretensão de retornar para essa carreira, sempre tenho a facilidade em transformar pensamento e sentimentos em músicas.

Será que realmente não sou criativo, ou não estou direcionando de forma adequada, minha criatividade?

E aqui vale o puxão de orelha, pois envolve seu dinheiro e seu tempo. Tenha cautela.

Você já se perguntou se realmente você está dentro da caixa?

Fotos retiradas do site VisualHunt.com

Sobre o autor:

Sou o José Carlos, conhecido como JC, Zé, e para os mais antigos, Cacá. Apaixonado por música, literatura, cervejas e novos aprendizados.

Como todo profissional do século 21, estou na busca de minha reinvenção e adaptação no contexto que estamos vivendo. Estudo, trabalho e treino diariamente, corpo e mente.

Tive uma banda e com isso pude conhecer pessoas, estados e novas culturas. Isso me ajudou bastante a encarar o público e saber lidar com a pressão.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s