Já faz algum tempo venho pensando sobre a forma com que busco conhecimento e quais os recursos utilizados.

Quando terminei a segunda faculdade no ano passado, comecei a pensar sobre a minha necessidade de buscar mais conhecimento. Tentar acabar com uma fome insaciável, sabe? Como se ainda estivesse faltando algo.

Em paralelo à minha busca, percebi o surgimento de inúmeros conteúdos em diversas plataformas para consumir. Textos, vídeos e cursos – pagos e/ ou gratuitos.

Coisas como “5 dicas para você ser um líder melhor”, “10 erros que você não pode cometer produzindo um conteúdo”, entre outros, surgindo exponencialmente. Receitas prontas para transformar nossas vidas.

Nesse momento quero deixar bem claro, que não faço uma crítica a estas práticas de conteúdo. Eu mesmo, tenho investido tanto tempo quanto dinheiro para esse desenvolvimento. Tem muita coisa boa por aí.

Está mais para uma reflexão ampla.

A minha vida não é uma receita de bolo, muito provável que a sua também não seja. E mesmo se fosse, não daria certo misturar três ou quatro receitas simultaneamente. O resultado não seria o esperado – o bolo não ficaria gostoso.

Quem me conhece sabe que a área da educação é uma das que mais me desperta a atenção. E hoje, mesmo sem atuar na área, sou assíduo consumidor.

E acredito que estamos deixando de lado algo fundamental para nosso desenvolvimento. Ou talvez, apenas eu estivesse deixando, sabe?

Existe uma forma de aprender que está passando despercebida e são todas as experiências que nossas vidas possam oferecer. Desde uma simples cerveja com um desconhecido no bar até mesmo uma situação crítica no dia trabalho.

Será que mundo realmente mudou?

Nos tempos de escola, mesmo com facilidade em exatas, tinha uma paixão enorme por História. Percebia que era possível a compreensão do comportamento do ser humano atual através dos nossos antepassados.

Ou seja, uma situação de séculos atrás, se acontecesse hoje, o comportamento possivelmente estaria dentro do mesmo padrão do passado, talvez vivido rapidamente.

Parece que as 24 horas passam mais rápidas hoje em dia e sinto certo sufoco, por conta da forma com que encaramos nossa rotina e o tempo.

E essa velocidade se justifica pelo alto volume com que consumimos dados diariamente. O volume é alto e nem sempre, necessariamente, é transformado em informações úteis – conhecimentos úteis.

Se 15 anos atrás, uma edição de jornal apresentava mais conteúdo em suas páginas do que a vida de alguém inteira 60 anos antes, hoje podemos afirmar, piamente, que o acesso à informação que temos em nossas mãos, em nossas telas pequenas, é absurdamente maior do que no início dos anos 2000.

A Rede Social

Não é sobre o filme.

As redes sociais ganharam forte presença na vida da maioria dos seres humanos. Não tenho números exatos, mas passo entre 70–80% do meu dia na rua, trabalho e em transporte público e uma simples observação, como por exemplo, em um vagão de trem me permite chegar a essa conclusão.

Foto tirada por mim mesmo um dia desses

Talvez tenha sido no Instagram que vivenciamos a primeira notoriedade que os Influencers receberam. Inclusive foi lá que eu descobri esse termo.

Há duas décadas atrás seria pouco provável imaginar que uma pessoa ganharia dinheiro, simplesmente por compartilhar sua rotina, gerando conteúdo de valor, através da câmera do celular.

Hoje em dia já é possível ouvir das gerações mais novas coisas do tipo “quero ser Youtuber“.

Apesar de clichê, a frase “o mercado mudou e cresceu exponencialmente” é verdadeira.

As pessoas e marcas que entenderam isso e passaram a surfar juntas, relacionando produto com estilo e identidade, saíram na frente nessa corrida.

A lição mais simples que a Economia ensina é que para existir uma Oferta é necessário uma Demanda.

Se existem pessoas que consomem um determinado tipo de conteúdo, vou surfar junto e oferecer algo nesse campo para ter meu público.

E de repente, hoje temos um volume extraordinário de conteúdos que seguem a mesma linha.

Sejam os likes, os shares, os followers, tudo isso gera uma sensação de vislumbre na massa geral.E serve para pagar algumas contas. E com isso, muitos conteúdos são criados diariamente, com o intuito de nos direcionar para alcançarmos os mesmos resultados.

Não é errado seguir nessa linha, mas será que não podemos trazer coisas diferentes?

Bolo de Fubá com cobertura de goiabada

Procuramos lazer e receitas prontas, mas não às da Palmirinha. Queremos fórmulas de sucesso que deram certo na vida de outras pessoas, de preferência que seja algo fácil e que se aplique às nossas vidas.

A real é que nem sempre a vida funcionará assim.

Outro dia o Matheus publicou um artigo aqui e comentou o quanto estava incomodado por não ver uma série sem tentar extrair nada ou converter um novo conteúdo. Simplesmente sentar no sofá e ver porque queria ver.

Isso me fez refletir sobre a forma como vivo e enxergo a minha vida. Às vezes simplesmente deixar rolar, sem me preocupar.

Eu acredito genuinamente que toda pessoa tem algo a oferecer a outra pessoa. Uma relação de troca sabe? E ela pode ser natural – espontânea.

Às vezes uma situação parecida que alguém passou, pode nortear uma solução à outra pessoa. O aprendizado gerado pela experiência e familiaridade.

Há alguns meses eu escrevi sobre como eu lido com a procrastinação. E esse conteúdo me rendeu boas trocas de experiências com outras pessoas. Foi uma história real minha em contato com as histórias reais de outras pessoas que, apesar de eu não conhecer pessoalmente, já têm grande importância na minha vida. Não tinha um guia sobre como lidar, mas trouxe coisas que deram certo comigo.

Por que fazemos o que fazemos?

Quando eu trabalhava com Treinamento, eu consumia muito conteúdo externo: filmes, desenhos, esportes, novelas, notícias e por aí vai.

Consumia o que poderia relacionar da experiência compartilhada dos grupos junto com o que a empresa gostaria que os colaboradores entregassem como resultado.

Tinha um objetivo claro. Esse era o meu trabalho. Eu utiliza insights do cotidiano para criar a conexão com os grupos.

Contudo nem sempre queria assistir algo ou ir a um museu ou teatro, pensando em extrair algo.

O ponto é simplesmente sobre curtir a experiência toda. Desde comprar a pipoca na entrada de um cinema, até mesmo me emocionar com um drama ao ponto de perceber meus olhos marejados, vivendo aquele momento. Sem pensar no meu trabalho, no próximo artigo ou qualquer outra coisa.

Caso Bettina e a Empiricus

Só para não deixar passar batido, mas vale pensar sobre.

A Bettina ensinou muitas coisas, como por exemplo, o problema nunca ter sido a Bettina, e sim a falta de cuidado da marca por trás da Bettina.

Não houve verdade na mensagem que a empresa quis passar, entende? E como estava bem claro isso, tivemos uma semana de memes e muito conteúdo envolvendo isso.

 Eu mesmo, me encaro em frente ao espelho, com o objetivo de entender o que eu quero transmitir e por qual motivo o farei. Não simplesmente pegar minha prancha e surfar a onda com a galera.

Photo by Mike Erskine on Unsplash
Crédito: Unsplash

Hora da história

No passado eu tive banda, e há alguns anos atrás, existia mais banda por metro quadrado do que botequim. 

Mesmo não seguindo adiante, parte dos objetivos que eu tive como músico, eu consegui atingir. 

Através das melodias, letras e shows, foi possível transmitir bons sentimentos e experiências a outras pessoas.

Não ganhei milhões, não ganhamos disco de platina nem nada do tipo. Foi uma experiência que levo comigo e que já contei aqui.

Estávamos longe de sermos os melhores músicos e tudo que conseguimos através da música, conseguimos porque tínhamos sinceridade em cada gesto no palco e fora dele.

Se os filmes de heróis não apresentam somente histórias de sucesso e mesmo assim nos ensinam muito, acredito que os erros e acertos de outras pessoas poderiam se transformar em aprendizados por aqui.

O LinkedIn é grande e infelizmente não encontrei uma fonte precisa no Google. Em milhões, possivelmente somos 45 somente no Brasil e mais de 500 pelo mundo.

Já parou para pensar quanta história real poderíamos ter aqui? Que tal praticarmos isso mais? O que vocês acham?

Até a próxima!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s