Crédito: Unsplash

Nota do autor: o texto de hoje é curto, pois o objetivo real é a reflexão sobre a pergunta-título. Se quiser, ignore a minha história abaixo e pule para a parte “Hora da atividade”.

Quem me conhece dos tempos de adolescente – ou melhor, há pelo menos metade de minha vida sabe que sempre eu tive uma forte ligação com a música.

Ouço diariamente muita coisa diferente (da Nona de Beethoven*, com toda aquela energia até mesmo à introspecção que envolve a carreira do Radiohead).

*eu amo o trecho do filme, em que parte da 9ª é reproduzida e ainda hoje me arrepio ao assistir até o último segundo, mas essa cena é mera ficção, tá?

Tive banda e já abandonei faculdade e trabalho para arriscar essa jornada de viver da música em solo tupiniquim. Não foi um período fácil, tampouco lucrativo, mas confesso que rendeu boas histórias, como a viagem à Maringá, que eu contei aqui.

Hoje meu contato com o instrumento é apenas para lazer, uma paixão que ficou adormecida, quando entendi que meu relacionamento com a carreira de músico havia acabado.

Breve história

Lembro que, durante novembro de 2011, quando coloquei um ponto final nessa história, acabei me desfazendo de tudo que tinha ligado à música.

Agi como um jovem precoce e imaturo, com o término de um relacionamento, joga fora os presentes, cartas, fotografias e tudo relacionado ao (a) ex. No meu caso, vendi meu instrumento e todos os componentes que utilizava.

E durante um longo período, sequer encostei minhas mãos novamente em um violão. Antecipando à uma possível pergunta sobre o motivo dessa atitude extrema, já afirmo que não tenho uma resposta, mas naquele momento entendi que essa era a melhor saída.

Em 2015 comprei um violão. Já vinha namorando essa ideia, que ganhou forças graças ao meu carro que fora roubado e com a cobertura do seguro, destinei uma cota do valor para um violão.

Estava feliz novamente.

Desde então fui promovido ao artista dos churrascos e confesso que é um dos momentos em que eu mais me divirto.

Agora voltando ao foco do título do texto.

O insight desse texto rolou durante as minhas férias. Foram apenas dez dias, motivados pelo show do Arctic Monkeys no Rio de Janeiro e uma necessidade de um forecast nos meus planos para o ano.

Ao retornar dessa viagem, peguei o meu violão e toquei por horas a fio. De repente, parei por um instante e fiquei olhando para o instrumento – um Tanglewood folk com um timbre incrível.

Foi inevitável me fazer a pergunta:

Por que você tem dedicado tanto tempo para tantas coisas distintas, mas cada vez menos tempo ao que realmente ama?

Me doeu pensar que cada vez menos tempo eu dedico para esse tipo de coisa, que eu apenas amo, sabe?

Coisas, que não me geram uma remuneração, não interferem diretamente na minha carreira –indiretamente até que sim, afinal se eu tocar violão no churrasco da firma posso ganhar alguns pontos.

Estou brincando!

Mas é preocupante, hoje estou vivendo um fluxo que é, relativamente, bem produtivo. Porém percebo que não estou totalmente adepto a ele. Rola um incômodo.

Levanto cedo, pratico atividades físicas, em seguida sigo para o trabalho, no trajeto vou lendo ou fazendo algum curso online pelo celular, trabalho o dia todo. Na hora do almoço, como rapidamente, pois sempre tenho algo a resolver na hora desta pausa. Maximizo bem as horas do meu dia.

No fim de tarde, volto para casa, tomo um banho e me deito, esgotado – mentalmente e fisicamente.

Dia seguinte a rotina se repete. O sentimento é de que fui engolido pela rotina.

E o pior de tudo: crio teorias que justificam e promovem a aceitação desse processo em minha vida.

Hoje, logo após largar o violão, me permiti refletir sobre a salubridade com que tenho levado minha vida, por conta do tempo cada vez menor em dedicação às coisas que me dão prazer, pelo simples fato de existir.

A impressão é de que vivemos essa felicidade quando somos crianças, daí vem um hiato e recuperamos essa atitude, quando envelhecemos.

Hora da atividade

Vou propor um exercício aqui: pense em algo que gosta de fazer – mas gosta muito mesmo de fazer.

Não vale o trabalho (tem gente que ama e nem considera o trabalho como trabalho. Respeito a proposta, acho interessante esse ponto de vista, mas continua não valendo).

Academia?

Pode até ser, mas se rolar uma frequência – e espero que role, pense sobre a motivação da coisa toda – apesar de amar essa rotina, o real motivo veio depois de adulto, quando flertei com os três dígitos na balança.

Será que é difícil pensar em algo diferente?

Não precisa saber tocar um instrumento.

Talvez seja ver séries na Netflix, comendo pipoca como se não houvesse amanhã. Parar para ler um livro (esse ano li dez ou onze durante as longas viagens de transporte público).

Ir ao teatro, enfim, busque lá no fundo qualquer outra coisa que você ame fazer, mas que acabou deixando de lado, por conta da rotina e a forma como a leva.

Talvez eu esteja blefando, tirando conclusões precipitadas sobre a sua vida, baseadas na minha vida. Mas dê um voto de confiança, vai pela familiaridade da coisa.

Conseguiu pensar em algo? Responde a pergunta-título e em seguida reflita sobre a frequência dessa ação em sua vida.

Ah, coloca aqui nos comentários o seu ponto de vista.


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