Era noite de sábado e apesar de ser uma cidade acostumada ao frio, os termômetros ultrapassavam os 40 graus de temperatura. O suor escorria pelo corpo e ao passar a mão por seu cabelo, o percebeu molhado, como se tivesse saído de um banho.

Ao se olhar no espelho, sua pele parecia suja, como se não tivesse tomado banho nos últimos dias e as olheiras em seu rosto estampavam um cansaço de quem não tinha dormido nos últimos dias. Vinha de duas noitadas longe de casa, com cigarros e cervejas quentes divididas com desconhecidos em bares estranhos. Jogou uma água no rosto, pegou seu cigarro e o acendeu, em frente à sua janela, observando o movimento pela rua.

O seu plano de ficar em casa, dormindo ou revisitando as loucuras das últimas horas fora interrompido por uma buzina incansável, que não diminuía de intensidade enquanto não tivesse uma resposta. Eram seus amigos o esperando para uma festa.

Jogou uma água gelada no corpo, vestiu uma roupa amarrotada, pegou algumas cervejas, seu maço de cigarro e entrou em silêncio no carro.

Seus amigos fizeram algumas perguntas, que foram respondidas com duas ou três palavras.

A viagem era curta e o local ficava a poucos metros da sua distância, mas seus amigos, sabendo que ele não iria sozinho, o buscaram, assim garantindo sua presença em mais uma festa – a terceira pela terceira noite consecutiva.

A trilha sonora no lugar era ruim, mesmo sem saber o que estava tocando, se sentia incomodado. Muitas pessoas estavam no lugar e ele desistiu de cumprimentar a todos.

Pegou uma cerveja quente, encostou na parede, a abriu e em seguida matou aquela lata em não mais que três goladas. Era a única forma de sobreviver ao calor que fazia. Seu plano de não beber aquela noite também fora frustrado.

O calor insistia em ser presente naquela noite e mesmo um cowboy sendo sua bebida favorita, acabou cedendo ao acompanhamento de gelo no copo, que não durava mais do que alguns minutos, até se transformar em água sabotando o sabor do seu uísque.

Ficou ouvindo os convidados falando sobre qualquer coisa, que não fora capaz de identificar, apenas acenando, sorrindo ou tentando complementar, enquanto queimava um cigarro atrás do outro. Ele estava impaciente e sem vontade de socializar com as pessoas, que insistiam em conversar.

Assuntos dos mais variados e também os mais chatos: família, emprego, escolhas. As pessoas vivem presas a estes desejos, quando não estão em seu celular.

Os convidados iam chegando, um a um, trazendo mais bebidas e também as suas histórias. Bebeu pelo menos mais umas seis cervejas e chegou à metade do seu maço. Ele estava levemente embriagado e não via a hora daquela noite chegar ao fim.

De repente, como se fosse uma cena clichê de comédia romântica, ela chegou.

Ela era alta, até mais que ele, seus braços repletos de tatuagens, assim como uma de suas pernas. Seu cabelo, preto, longo e ondulado. Estava preso, do jeito que ele gosta. Sua pele era branca, em forte contraste com um batom vermelho, como nos filmes do Almodóvar.

Ele prestou atenção em todos os detalhes dela, não era a primeira vez que a via, mas a primeira com desejos além de algumas poucas palavras trocadas.

Tudo que até então o incomodava, havia ficado em segundo plano. Ele só tinha olhos, atenção e desejos por ela. Pegou uma cerveja, se aproximou e falou:

– Você tem fogo? Apontando para o seu cigarro.

– Sim, claro.

Ele acendeu o seu cigarro, lhe devolveu o isqueiro, agradecendo e continuando a conversa.

– Hoje está mais cheio do que o normal, não é? Eu não conheço quase ninguém que está por aqui.

Ela acenou com a cabeça, concordando com aquele comentário.

E a conversa chegava ao fim.

Alguém o chamou em seguida, ele a deixou, pegou outra dose de uísque, dessa vez maior que a primeira e ficou distante. Seu amigo falava sobre qualquer coisa, que sequer fora capaz de prestar atenção, ele não tirava os olhos daquela mulher, apreciando cada centímetro de sua beleza.

Eles trocaram alguns olhares e também sorriram um para o outro, ambos sem graça. Passado algum tempo, ele aproximou-se novamente e antes de dizer qualquer palavra, acabou surpreendido.

– Já sei, você quer novamente o meu isqueiro emprestado.

Seguido de um sorriso.

– Na verdade não é isso. Eu cheguei aqui já faz algumas horas e até você aparecer, essa festa estava chata e eu disposto a apenas ficar bêbado enquanto as horas passam. E de repente…

Nesse instante ele foi interrompido por um convite.

– Que tal darmos o fora daqui? O meu carro está próximo, podemos pegar algumas cervejas, outro maço de cigarro e ouvirmos alguma música.

Sem hesitar, ele aceitou o convite e eles foram embora da festa. Caminharam em direção ao carro e ao entrarem, antes que ela pudesse ligar o carro e sair daquele lugar, começaram a se beijar ali mesmo.

Ao fundo, tocava uma música do Bob Dylan e eles resolveram ficar mais algum tempo, com o carro parado naquela rua deserta. Não queriam interromper aquele momento.

Os vidros do veículo já estavam à essa altura, ele desceu levemente a sua mão pelos braços dela, passando a mão pela cintura e antes que pudesse perceber, já estava com a mão por baixo da sua saia.

Ela começou a desabotoar a camisa dele e ambos ofegantes, trocaram alguns sorrisos e começaram a se beijar.

Ele estava quase explodindo, quando chegou até a xoxota dela, que estava quente e bastante molhada.

A tocou por alguns minutos e logo ela estava montada em seu colo.

Ele a interrompeu por um instante, sugerindo que fossem para um outro lugar e foi novamente surpreendido na noite, com um “cale a boca e apenas continue”.

Ela o conduziu durante alguns minutos, dominando-o totalmente. Pulava sobre ele, já sem sutiã, enquanto ele, como se estivesse sem reação, apenas sentindo o prazer daquele instante, resolveu chupar seus seios, levando-a a loucura dentro do carro.

Ele gozou e em seguida comentou que aquela trepada foi incrível.

– Você tem um cigarro?

Ele pegou a calça no chão do carro, encontrou o maço, acendeu dois cigarros e ambos fumaram, enquanto ouviam o último álbum do Arctic Monkeys.

– Vamos comprar algumas cervejas e ir para outro lugar?

Ela negou, dizendo que teria um compromisso na manhã seguinte e lhe ofereceu um carona.

O carro estacionou em um posto de gasolina, local sugerido por ele, que lhe deu um beijo, e logo se despediram.

Ele pegou um pack com seis cervejas, outro maço de cigarro e seguiu para a sua casa a pé. Era uma caminhada longa, já pela madrugada, e levaria não menos que aquelas seis cervejas consumidas até chegar em sua casa.

No meio do caminho, encontrou um bar aberto e entrou. Pediu um cowboy, acendeu outro cigarro e apenas ficou pensando em tudo que havia acontecido aquela noite.

Se lamentou, pois não lembrou de pedir o número dela.

Acabou dormindo, sentado, em um banco, que ficava em um pequeno parque público. Foi acordado por um policial e ainda um pouco perdido, com tudo que havia acontecido, seguiu para a sua casa.

Ao ligar seu celular, viu pelo menos dez chamadas não atendidas de um dos seus amigos, que lhe deu carona. Acendeu outro cigarro e decidiu dormir mais um pouco.

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