Próximo de mais um aniversário sempre é tempo de reflexões. Completarei 31 anos em menos de um mês e quase 12 de jornada profissional.

Eu não segui a rota “normal” de ingresso na faculdade e depois no mercado de trabalho. Foi ao contrário, entrei no mercado para ter condição de pagar a minha faculdade.

Nos tempos da escola era tido como “aposta” para ser aquele +1 da escola aprovado em um vestibular de uma boa Universidade pública. Isso acabou não acontecendo.
Me graduei em duas faculdades particulares e é importante deixar claro que sou grato por isso.

Em tempos de reflexão, fiz uma viagem no tempo e retornei à minha infância para entender todo processo até o JC dos 30+1.

A primeira vez

Desde os tempos do Ensino Fundamental eu tive facilidade com números, sejam eles na Matemática ou quando apareciam na Física.

Desde os tempos do Ensino Fundamental (no meu tempo o nome era esse), eu me dava bem com números, sejam eles na Matemática ou quando apareciam na Física.

Nunca vi como algo complexo, na verdade era um trajeto a ser percorrido do ponto A ao ponto B. Às vezes em linha reta e em outras tantas, como uma onda senoidal.

Em decorrência dessa facilidade, boas notas em ambas matérias, sem precisar de grande esforço ou horas de estudo.

Nas provas, todos sentados em suas carteiras, recebiam uma prova, preenchiam com o nome e número de em seguida respondiam as questões. Eu era apenas mais um entre 40 ou 42 alunos.

Normalmente duas semanas depois, recebíamos o resultado. Nunca fui o aluno nota 10, mas estava ali, sempre flertando com o 10.

Desse desempenho, surgiu um convite para uma Olimpíada de Matemática.

Eu estava ali, com outros alunos e esses sim estudavam muito.

Aulas extras, aquele famoso tapinha nas costas, dado pelo Professor, o sorriso da Diretora e eu fazendo parte de um novo nicho.

Talvez tenha sido a primeira vez que lidei com uma coisa que é bastante comum na vida adulta: a pressão, ou nessa passagem em específico, enfrentei a pressão, sem saber o que de fato significava.

Meus pais nunca me pressionaram, apenas cobravam que eu me dedicasse: primeiro a obrigação, em seguida a diversão. Plantaram essa semente e me guiaram para as minhas responsabilidades.

Já nos primeiros simulados, meu desempenho foi uma catástrofe. Estudei o dobro do que estudava normalmente e mesmo assim, fiquei nas eliminatórias. Isso me gerou frustração gigante.

Ensino Médio e o dilema dos vestibulares

Vou avançar alguns anos, já no Ensino Médio, eu não gostava de estudar por obrigação, normalmente era por prazer.

Lembro que nos tempos do colegial, fazia um curso de Informática após as aulas, e sempre que chegava uma ou duas horas antes, me sentava na escada, retirava os livros de Matemática, Física ou História da mochila e ali mesmo fazia meus estudos. Isso acontecia duas vezes por semana. Nas demais me esforçava para estar entre mediano ou acima.

No último ano, o assunto mais falado durante o período letivo era o vestibular.

Chegou a época dos simulados e confesso que eu ia bem relaxado para essas provas. Comigo tinha claro que não valia nada, apenas testes, sempre com notas altas.

Os vestibulares se aproximaram e escolhidos curso e universidade, optei por apenas fazer a Fuvest, na época um sonho juvenil de estudar Jornalismo, talvez motivado pela paixão pelos programas esportivos da época, tanto em TV quanto rádio.

Treino é treino e jogo é jogo

Resultado: acertei cerca de 30% da prova apenas. E acusei o golpe pela primeira vez. Talvez tenha faltado a tranquilidade justamente oferecida nos simulados? É errado dizer o que seria melhor depois. O mais importante era o balanço geral do que havia acontecido.

Não sei como é nos dias atuais, afinal, o ENEM é base para boa parte das instituições públicas e privadas. Mas aquele fim de 2005 foi realmente muito ruim. Comparo o sentimento a um time de futebol que joga as últimas cinco rodadas já rebaixado, sabe?

Virou o ano, uma segunda chance. Cursinho pré-vestibular. A semana toda na escola, mesmo desempenho nos simulados ao longo do ano. De 70 a 80% nas notas dos “simulados”.

Dessa vez fiz diferente, apliquei para três vestibulares. Estava bem confiante, pois já não era “virgem”, e como era o segundo ano seguido, já entendendo como era o ritmo de prova longa, pensei que seria a virada do jogo.

A história se repetiu, bem como a chateação. Consegui no máximo, uma lista de espera na Unesp e só.

Em 2007 comecei a trabalhar e minha rotina mudou bastante. Se no ano anterior, a obrigação era somente estudar, sendo bancado pelos meus pais, agora tudo estava diferente. Tinha uma rotina e compromissos diferentes.

  • Das seis ao meio dia, trabalhando;
  • Entre uma da tarde e dezoito horas, cursinho pré-vestibular, afinal, sou brasileiro e não desisto nunca;
  • E pelo menos duas vezes por semana, à noite, ensaio com a banda.

Foi nessa época que descobri a paixão e vício pelo Café.

E resumindo, como um roteiro do terceiro filme, a história se repetiu. Novamente virei o ano de mãos vazias. 

(Nesse instante você pode falar algum palavrão e até mesmo me xingar, está liberado).

https://www.flickr.com/photos/mayeesherr/9449345598/

Pulei um ano e comecei 2009, já sem frequentar cursinho ou sequer estudar, apenas trabalhava e me dedicava à música. Os planos já eram outros.

Todo caso, como bom brasileiro, resolvi me candidatar novamente e fiz duas provas no fim do ano: ENEM, já no modelo de dois dias (sábado e domingo) e Fatec.

Confesso que fiz por fazer, sem pretensões, pois sequer havia estudado ao longo do ano. Assisti a algumas aulas do cursinho Objetivo, que passavam na TV Cultura e só.

Da Fatec, recebi a carta informando que havia sido aprovado. Quanto ao Exame Nacional, anos depois descobri que meu desempenho final estava acima da nota de corte por pelo menos 4 anos para algumas Federais.

(Me xinguei algumas vezes, diante do espelho, por não ter levado nenhuma das duas possibilidades adiante. Mas entendi algo que é útil até hoje para mim).

Tá, mas qual o aprendizado?

Sempre que eu estive “relaxado”, meu resultado foi muito melhor. Durante o período acadêmico tentei levar dessa maneira, sem me cobrar tanto e no trabalho também, compreendendo as responsabilidades e o quanto a falta de equilíbrio emocional poderia me causar prejuízo.

Percebi que nos tempos de banda, era mais ou menos parecido. Quando relaxava, errava menos. E no trabalho, idem, tanto desempenhando as obrigações diárias, quanto nas transições para áreas novas (onde trabalho as promoções podem ocorrer através de processos seletivos internos, ou seja, você guia seu curso na empresa).

Hoje estou formado, em dois cursos e duas instituições diferentes, ambas particulares.

Entendi que para avançar em qualquer senoide da minha vida seria necessário lidar com a pressão. Aquele lance do trabalho mental é importantíssimo.

crédito fotos: Visualhunt.com

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