Eu acredito que é possível responder a boa parte dos dilemas em nossas vidas, através de uma história bem contada, seja ela escrita com uma incrível narrativa ou de preferência, sincera. Então o que vem adiante é uma história que aconteceu comigo há alguns anos.

O ponto de partida é 2011

Eu havia retornado a mesma empresa que trabalho hoje, após uma aposta maluca em tentar viver da música no Brasil, ainda mais com letras em inglês.

Um ano antes, eu havia largado a Faculdade e o trabalho, gravado um CD e arriscado uma turnê nacional. E juro que um dia eu conto isso! Foi um período rico de aprendizados e muita aventura.

Todo caso, tem uma degustação de como tudo aconteceu, acessando aqui.

Estava quebrado e praticamente trabalhei um semestre para pagar as contas. A sensação era de que estava trabalhando de graça. Apesar de ver as contas diminuindo, tive que limitar meus desejos e vontades do verbo “comprar” por um período.

Vi no Excel uma oportunidade para upgrade na carreira. Meu pai comprou a ideia e resolveu me ajudar (o velho é foda). Pagou um curso em uma dessas escolas certificadas.

Antes de fazer o curso, eu confesso que não sabia quase nada na ferramenta e como a escola permitia realizar o curso duas vezes, pagando apenas uma, eu fiz a primeira e meses depois refiz, para aprofundar o conhecimento das tabelas dinâmicas e fórmulas.

Pintou um processo seletivo interno: triagem do RH, prova técnica de Excel e entrevista com gestor da área.

Primeira etapa OK Segunda etapa da prova OK

Apenas eu e mais um rapaz fomos à etapa final. Estava confiante, porque os avaliadores conheciam meu trabalho

E já que estou relembrando alguns fracassos meus, é óbvio deixar aqui que não passei na vaga.

A importância do Feedback

Feedback é uma parada que aprecio, seja para enaltecer coisas boas e para apontar o que tenho que desenvolver. Sempre fui assim.

Quando trabalhava no atendimento, quase sempre eu resolvia os problemas dos clientes, mas tive que aprender a humanizar os diálogos e gerar empatia com o cliente. E isso só foi possível, graças aos competentes supervisores que tive no Call-center.

Como eu não passei na vaga, pedi um retorno para o gestor da área. O que eu não esperava é que ele também fazia questão de ter esse bate-papo comigo.

Zé, você praticamente empatou na prova técnica, com o Leonardo (candidato selecionado). Mas essa é uma vaga para alguém que vai trabalhar somente com números. Para essa vaga ele é o ideal. E você tem uma visão mais ampla. Hoje contar com você aqui, não teríamos como explorar tudo que você tem a oferecer e nem oferecer o que você espera.

Foi um dos feedbacks mais longos que recebi nesse rolê que é ser adulto.
Também um que sempre me pego lembrando, pela utilidade que tem até hoje em minha vida.

Teve mais coisas, mas estou sendo sincero e não lembro de outros detalhes do diálogo, só dos highlights.

E isso me marcou, na hora eu entendi algumas coisas e outras, mesmo ele explicando, não havia ficado 100% claro.

 Sentimento misto né? Feliz pelo feedback e triste por não ter sido aprovado.

Olhando para trás, acredito que esse sentimento foi o melhor que pude produzir naquele instante. Ainda era novo e estava no gás total para assumir coisas novas. De quebra, queria recuperar “na base da pressa”, aquele período que dediquei à música.

Tudo que ele me falou foi fazer sentido apenas em 2012, quando em outro processo seletivo, fui aprovado para o time de RH – Treinamento e Desenvolvimento.

Dinâmica com uma quantidade de candidatos, que seria possível formar dois times de futebol de campo praticamente e eu em um absurdo nervosismo.

Eu não sei se eu teria me aprovado naquela dinâmica, mas os avaliadores apostaram em mim.

Etapa final: eu tive que montar um case sobre um determinado tema, sorteado pela recrutadora, responsável pela vaga, e pasme, era algo sobre “Superação após algum fracasso”.

Um clichê para a minha história, mas a melhor oportunidade de tema que poderia explorar, afinal, eu era o case.

Pude contar a trajetória na banda, a história do Excel e do feedback, de um ano atrás, e relembrar um cara que anos antes, me inspirou pra caramba, que foi o Vanderlei Cordeiro de Lima, naquele fatídico caso do Irlandês, nas Olimpíadas da Grécia, em 2004.

Naquela apresentação, seguida de uma breve entrevista, eu deixei tudo de mim. Sai exausto e parecia que tinha carregado alguns baldes de areia
(e eu sei do que estou falando, pois ajudei ao meu velho na reforma em nossa casa).

Não sabia o resultado ainda, mas sabe aquele sentimento bom? Que não é excesso de confiança, mas é gostoso mesmo assim?

E das coisas que lembro daquele dia em que fui aprovado, uma delas é o sorriso no rosto da líder da área, Monica Oliveira. Fui sincero no que apresentei e consegui demonstrar isso a ela.

O gerente que me reprovou no ano anterior, estava muito certo, e até hoje sou grato ao Fábio, por isso. Talvez ele não saiba, porém me ensinou, não necessariamente a ser mais otimista, mas a enxergar as situações por ângulos diferentes.

E essa tem sido a tônica dos últimos tempos na minha vida, lembrar das coisas que não deram certo no passado e, de repente, tentar compreender o que esse fracasso pôde ou poderá significar na minha vida.

É apenas eu, ou você também é capaz de refletir sobre essas questões e enxergar novos caminhos?

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