Vou antecipar a minha resposta, para assim diminuir a ansiedade: eu não sou.

Sabe o que é pior?

Eu demorei um tempão para me recordar sobre o que eu sonhava há 20 anos atrás! A viagem foi longa. E a sacada que tive é que a gente passa tanto tempo planejando e pensando no futuro, que se esquece do presente ou mesmo o passado.

(aqui faço questão de escrever na primeira pessoa, pois essa foi uma autorreflexão, que possivelmente pode também ser sua, mas não posso afirmar isso, certo?)

É segunda-feira e estou preocupado com um compromisso da quinta. Ou de repente tenho dores de estômago com uma coisa que vai acontecer no fim de semana.

Camarada, não estou falando para praticar a cultura do “deboísmo” e simplesmente ignorar os fatos. Não é isso. Mas é necessário diminuir essa angústia e evitar o sofrimento por antecipação.

Se trata sobre viver um dia de cada vez, respirar fundo e aproveitar cada momento como se fosse único, afinal ele será único.

Cada segundo é extremamente valioso

Pare por um momento e veja um relógio qualquer (eu fiz isso com o de ponteiro). Preste atenção em cada segundo que passa.

Existe alguma diferença entre eles? Será que têm a mesma equivalência?

Isso depende da forma como encarar cada um deles, do valor atribuído e da maneira como vive cada segundo. É aquela coisa que já nos falaram, sabe? De viver um momento de cada vez ou dar um passo de cada vez.

Vem comigo: a gente nasce sabendo respirar, ao longo da nossa vida desequilibramos e desaprendemos isso, e por fim, procuramos técnicas que nos retornam ao equilíbrio e que justamente envolvem o trabalho de respiração.

Já parou para pensar a loucura que é isso?

E a culpa é de quem? Já imaginou que ela pode ser sua? Sim ela é sua e no meu caso, minha.

Ser responsável pela sua vida, avaliar suas escolhas e assumir as consequências dá um trabalho gigante, mas necessário.

Agora voltando um pouco à resposta do questionamento que dá título à essa publicação. O que mais me incomodou nesse processo todo da busca pela resposta não é o fato de eu não ser o Zé, que quando pequeno, imaginei que seria.

O que pegou aqui e deu uma balanceada, quase me levando à lona, foi o soco que levei justamente por ter passado boa parte do meu presente pensando no futuro. Ao invés de desfrutar o que tinha, focava exatamente no que não tinha.

Não se trata de conformismo, ok?

Devemos focar em novos objetivos sim, mas também desfrutar dos que já foram atingidos.

Um relato breve dos últimos seis anos e meio: eu terminei uma faculdade. E o que eu fiz? No mês seguinte me matriculei em outra. Pois bem, terminei. E agora, José?

Continuo estudando, investindo em conteúdo e percebendo que é necessário aproveitar mais esses momentos e viver um dia de cada vez.

No outro texto eu falei sobre o estado de “piloto automático”, cuja lembrança é justamente uma música de mesmo nome que tem um trecho que retrata bem isso:

Quase toda vez que eu vou dormir
 Não consigo relaxar
 Até parece que meus travesseiros pesam
 Uma tonelada.

Eu devia sorrir mais
 Abraçar meus pais
 Viajar o mundo
 e socializar.

Por que a gente costuma esperar o fim de semana para se divertir e reclama toda segunda-feira, porque é justamente a segunda-feira?

Conta básica: a semana tem sete dias e fomos acostumados no regime 5×2. Cinco dias de aula, dois sem aula. Cinco dias de trabalho e dois de folga.

Se a gente seguir nesse modelo, deixaremos de aproveitar mais de 2/3 das nossas vidas.

Como disse Caetano: Que loucura!

E na boa? Ele estava certo.

Reclamar é uma coisa que está presente em todos nós e convenhamos, é difícil exorcizar isso. É um desafio diário não reclamar.

Mas que tal trocar essa reclamação por algo novo? Como tornar a minha segunda-feira melhor?

Nunca reclamar
 Só agradecer
 Tudo o que vier eu fiz por merecer”

Talvez dê mais trabalho, mas o resultado certamente será melhor.

Topa esse desafio?

Voltar no tempo é necessário.

Antes dessa era digital, eu tinha um rádio toca fitas e lembro que costumava gravar algumas músicas que passavam na rádio para depois ficar escutando. Era assim que montava as minhas playlists.

Quando terminava um lado da fita, ou eu a rebobinava, ou abria a portinha do rádio, virava a fita para o outro lado (A e B eram os lados) e começava uma outra seleção.

Ah, aquele barulhinho que fazia no toca fitas quando rebobinava! ❤

Perceber que algumas coisas que faço hoje são reflexos ou exatamente ações que eu praticava quando tinha cinco ou seis anos de idade é um choque tremendo.

Convido-lhes a este exercício, dessa viagem ao passado.

Confesso que nunca havia parado para pensar sobre toda a minha trajetória dessa maneira. Normalmente analisamos do último ano da escola, antes de entrar na faculdade, para os dias atuais, ou seja, deixamos de lado pelo menos 17 anos da nossa história.

O desafio aí é justamente recuperar aquilo que fomos quando criança. Buscar essa essência no estado mais natural que ela já foi.

Lembra quando você brincava com uma colher e ela era o seu aviãozinho? É bem isso!

Eu queria ser baterista, então os potes, panelas e colheres de pau da minha mãe, eram as peças da minha bateria.

Nesse tempo a gente não tinha medo de tentar tampouco errar.

Por fim…

“Zé, como você consegue se lembrar de tanta coisa assim do seu passado?”

A resposta é simples: Eu vivi isso. Eu preciso me lembrar. É a minha vida.

Eu confesso, quando a gente vive o momento, valorizando-o e respeitando o tempo de cada acontecimento em nossas vidas, a lembrança facilmente vem à tona.

É a maneira mais fácil de lembrar da nossa história. 😊

Todo caso, existem técnicas que nos auxiliam nesse processo de resgate de memória e talvez daqui para frente funcione bem: sabe, quando você ouve uma música e se recorda de alguma outra passagem da sua vida totalmente descontextualizada daquilo que está passando no exato momento em que ouve a música?

Ou quando come algo ou percebe algum cheiro que remete a uma outra passagem?

Tente aceitar isso como algo voluntário. De verdade, funciona!

Eu li bastante sobre “mnemônica” há um tempo atrás também.

Provavelmente você já deve ter ouvido falar na técnica de memorização dos meses de 30 e 31 dias nas mãos, certo?

Ou então para memorizar elementos da tabela periódica, das aulas de química: Hoje Li Na “K”ama Robinson Crusoé Francês

Funciona!

Não tem receita de bolo.

Resgate seu passado, para redescobrir, viver e dar sentido ao presente, transformando o seu futuro.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s