Antigamente não tínhamos Facebook, Instagram ou Snapchat bombando. Nem tecnologia para suportar tudo isso.

Muita gente não sabe, mas há dez ou onze anos atrás já tinha muita história boa acontecendo e que acabou ficando para trás. Até agora é claro! Já que uma das propostas deste espaço é justamente recordar passagens e compartilhar com vocês algumas situações vividas ao longo dos meus atuais 30 anos.

Vamos viajar um pouco no tempo.

O ano escolhido para a história de hoje é 2008.

As redes sociais ainda eram embrionárias e não havia esse engajamento atual de compartilhamento de boa parte do nosso cotidiano na internet.

Vivíamos o auge de Orkut, MySpace, Bate-papo UOL e MSN, por exemplo!

Naquele tempo: fotografar um momento qualquer do nosso dia e publicar para os amigos nas redes sociais era algo totalmente impensável, principalmente no meu caso, com meu celular Nokia 6070, acessando páginas de internet no formato WAP e tirando fotografias em VGA.

Só de recordar e respirar fundo, já sinto o cheiro de mofo!

A essa altura já estávamos com a banda na formação oficial que percorreria anos juntos e então surgiu a primeira oportunidade de tocarmos fora do estado de São Paulo.

Haverá um texto dedicado a contar sobre a formação e como os integrantes se conheceram, mas para não ficarmos perdidos na história. A formação era:

Rodrigo “Milk” vocalista e guitarrista;

José guitarrista;

Rodrigo Leite baixista;

Duca Olimazzi baterista.

A cidade que nos acolheu para esta primeira experiência foi Maringá e o show aconteceu durante o período de Carnaval.

Lembro, como se tivesse sido no último final de semana. A viagem estava programada para as 20 horas daquele sábado, com ônibus saindo do terminal da Barra Funda.

Eu havia trabalhado normalmente durante a manhã deste dia e conseguira a folga para o restante dos dias da festa tradicional no Brasil, devendo retornar às atividades na quarta-feira da semana seguinte.

Fato legal é o quanto fui afortunado naquela semana. Eu passei a semana toda pensando em como viajaria com a banda, afinal a minha trajetória profissional teve início com atendimento ao cliente em escala 6 por 1, ou seja, feriados eram tidos como dias normais. E eu consegui a folga para viajar com a banda.

Cheguei em casa por volta das 16 horas. Tomei um banho, organizei as minhas coisas. Fiz um checklist rápido de tudo que deveria levar (instrumento, acessórios musicais, roupas e etc). Estava tudo ok.

Já a noite no terminal rodoviário, resolvemos fazer a última verificação de tudo, antes do embarque.

Guitarras? ok

Contrabaixo? ok

Itens da Bateria? ok

Palhetas e pedais? ok

Passagens? Onde estão as passagens?

José: as minhas estão aqui;

Rodrigo Lima: tudo ok;

Duca: a minha está aqui;

Enquanto isso o Rodrigo “Milk” revirava as suas coisas e nada da passagem. Já havia aberto a mala com as roupas pelo menos três vezes e nada.

– Rodrigo, cadê a sua passagem cara? Daqui a pouco ônibus embarca.

Novamente ele procurou, revirou as coisas e não estava lá!

O desespero havia chegado e tomado conta de nós quatro!

“O que faremos?”

“P#rr@, como você esqueceu a sua passagem?”

“E agora? Vamos perder o show!”

Várias interjeições improdutivas surgiram e nada racional era produzido.

Enquanto me recordo e escrevo é praticamente impossível não rir dessa situação toda. Mas viver aquela situação e aquele dia…meus amigos, foi extremamente horrível!

Nosso primeiro show fora de SP e as expectativas enormes. Era um sonho sendo realizado!

Conhecer uma cidade nova, um público novo e apresentar nosso trabalho, com um show perfeito. Esse era o plano!

Não cogitávamos qualquer falha, ainda mais sendo por não estar com a passagem para viajar.

Tamanho fora o desespero que o Rodrigo ainda virou para nós e falou “não vou deixar o motorista partir sem nós. Qualquer coisa a gente pega as chaves do ônibus e as escondemos”.

Após alguns minutos, finalmente descobrimos onde estava a passagem: na casa do sogro do Rodrigo.

Esses dias, enquanto decidi escrever sobre esse final de semana, eu indaguei ao Rodrigo a respeito de como as passagens dele ficaram de fora da mala. E ele me disse que o sogro estava brincando com ele. Tirando coisas da mala, escondendo a guitarra e etc. E quando juntou tudo para ir para a rodoviária, a passagem acabou ficando de fora.

Feriado prolongado. A essa altura, próximo de 19:30, ônibus com previsão de saída São Paulo às 20 horas. Estava tudo certo para dar errado.

Lembro que pensamos algo do tipo: “vamos atrasar a partida do ônibus aqui na Barra Funda, enquanto o seu Antonio traz a passagem para nós”.

É importante lembrar que em 2008 mobilidade em São Paulo não era tão fácil e repleta de alternativas como nos dias atuais. Então precisávamos aguardar a chegada e retardar a saída do ônibus. Explicamos a situação para os fiscais da rodoviária, que estavam divididos sobre nos ajudar ou não. Quem era inclinado a não aguardar alegava que a empresa que fazia a viagem para o Paraná seria multada caso atrasasse mais que 15 minutos e que por esse motivo não poderiam aguardar.

Acho que conseguimos retardar a viagem por uns 15 ou 20 minutos.

O seu Antonio chegou até a rodoviária e até hoje eu não sei ao certo quantos metros ou quantos muros a Bella (na época namorada e atual esposa do Rodrigo) percorreu até nós para trazer as passagens. Mas foi algo incrível! Foi cena de filme: ela entregou as passagens, deu um beijo no seu namorado e enfim embarcamos.

Ao entrarmos no ônibus, os quatro totalmente desconcertados pediram desculpas aos demais passageiros.

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