Falling Down (1992) – William Foster, interpretado, brilhantemente, por Michael Douglas

Começar com uma curta história

Lembro que nos tempos de The Cleaners, teve uma determinada passagem em que eu não estava legal. E acredito que todo mundo já passou por algo parecido. Certo?

Resumindo o meu problema: fim de namoro e pouca idade.

Naquele momento, eu não estava feliz e aquilo me consumiu bastante. Era um misto de emoções distintas. Estava incomodado e de certa maneira, encurralado com aquilo tudo que estava rolando. E com isso, qualquer problema pequeno acabava se potencializando ou mesmo não conseguia me concentrar direito para fazer algo simples, como dormir ou mesmo tocar meu instrumento.

Esse sou eu, alguns anos mais novo

Por sorte, como eu era músico e tinha uma banda, pude transformar meus sentimentos através das cordas da minha guitarra.

Uma música surgiu, completamente pronta na minha cabeça e apesar dela não ter uma letra, eu consegui transmitir exatamente o que eu estava sentindo naquele momento.

Eu queria drive*, queria explosão e queria intensidade.

Eu consegui expressar meus sentimentos e me senti livre novamente

Foi surreal aquilo. Tudo que me tragava, de repente tinha saído de mim, através de uma ideia transformada em pouco mais de dois minutos de música.

Eu esperei uma música surgir para me sentir leve outra vez. Foi a maneira que eu encontrei para solucionar o meu problema.

Eu fiquei leve. A sensação era de que havia tirado um piano das costas. Eu havia recuperado o controle da minha vida.

Ela se tornou uma artefato

Durante o tempo de banda, essa explosão e libertação sempre acontecia quando tocávamos essa música. Ela se tornou o modo de externalizar tudo que eu estava carregando já há um tempo.

O grande brilho dos nossos shows estava na nossa entrega durante a execução das músicas. Vivíamos aquele momento e cada show, por mais que as músicas fossem as mesmas, era uma nova história, uma nova relação e milhares de sentimentos diferentes. Deixávamos tudo que podíamos durante os shows, fosse 30, 60 ou 90 minutos.

Através da solução, percebi que tinha um problema maior

Foi sensacional transformar tudo que estava sentindo e passando em uma canção. Mas ao mesmo tempo comecei a refletir sobre o quanto é nocivo quando a gente guarda para si coisas que nos incomodam e o quanto isso se potencializa com o passar do tempo.

Uma pequena ferida ou lesão, se não tratada no início poderá se agravar, sabe?

No passado, uma música resolveu o problema. Mas e agora?

Hoje não sou mais músico, mas continuo tendo problemas. E isso é normal, sejam eles no trabalho ou em qualquer outra situação do dia.

Em muitas ocasiões absorvemos para nós problemas, verdades que precisam ser ditas, entre outras coisas.

As angústias e a combinação de emoções estão aí. E temos o hábito de ir guardando e somando, tanto coisas boas quanto ruins. E é preciso saber lidar com elas de outra (s) maneira (s).

Enquanto não equalizamos esse composto, estaremos afetando nossos trabalhos, relacionamentos, até mesmo nossa alimentação ou os momentos de diversão.

Não espere a “sua música surgir” para lidar com as resoluções do seu cotidiano

Falar sobre explosões ou como enfrentamos essas situações diárias me faz lembrar do filme “Um dia de Fúria” (Falling Down), em que William Foster, interpretado por Michael Douglas, em um momento de explosão diante do seu cotidiano, comete uma série de atos, por estar fora de si.

Se você não assistiu a esse filme, assista. É sério. Mesmo não sendo necessário reproduzir tudo que Foster fez durante o longa, os problemas e as angústias às quais ele se aprisiona, são muito comuns com as quais encaramos no nosso dia a dia.

Quanto mais a gente ignora aquilo que nos prejudica, mais agravante se torna.

Proponho uma rápida comparação: pensa no processo digestivo do seu organismo. Em seu funcionamento, da maneira mais simplificada possível.

O ciclo dele é resumido em: inputs e outputs. E desde que esteja funcionando bem, isso ocorre o tempo todo, certo? É necessário que isso aconteça, se não teremos sérios problemas.

Agora se imagine com a “digestão do seu organismo mental”. Os inputs e outputs estão acontecendo perfeitamente? Ou você tem acumulado para si muitas entradas?

Na boa, não guarde para você, pois estará vivendo enfezado.

Esse termo destacado acima é muito utilizado para representar situações às quais estamos p#!0 da vida ou com um grau de estresse acima do elevado.

A verdade é que esse adjetivo significa também: acúmulo de fezes. Sacou o que você tá armazenando e vivendo contigo?

E peço desculpas aqui pela franqueza e vocabulário, mas…

Pare de guardar tanta merda para si, bicho! Não é saudável e você sabe disso.

Sua cabeça também precisa digerir as coisas. E se feito em equilíbrio de entradas e saídas, tudo fluirá melhor, não é mesmo?

Ah, lembra da música que eu falei? Ela está aqui, clica no link abaixo, aproveita aí pra fazer um AIRBAND. Exploda, junto comigo, que tudo irá fazer sentindo.

The Cleaners – Outburst
créditos: Catherine Gaffiero

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