Por volta de 06:05 da manhã chegamos a Maringá e apesar de um sol incrível, estava bastante frio.

Ao sair do terminal rodoviário, havia uma VAN a nossa espera.

“Uau, eu tenho amigos que sequer sabem que eu tenho banda e agora estou em outro estado brasileiro com gente a nossa espera!”

Já dentro do van, com nosso motorista e um rapaz do Staff do evento iniciamos o seguinte diálogo:

– Bom dia!

– Bom dia. Alguém do evento já passou a programação do dia?

– Não. Só sabemos que alguém estaria a nossa espera e que esse alguém é o senhor.

– Tá. Eu vou levar vocês para o hotel. À tarde, vamos ao bar para passagem de som. Depois se quiserem levo vocês novamente ao hotel.

Por favor, se quiserem fumar maconha aqui dentro, tudo bem. Caso seja cocaína, me avisem. Eu paro a van e vocês usam lá fora! Esses dias eu levei uma banda e eles fizeram uma bagunça tremenda aqui dentro.

Eu ainda farei uma excursão com essa VAN nesse feriado.

Nós quatro ficamos sem reação.

Na hora a ficha não caiu. Foi muito engraçado. Um misto de susto com aquela sensação de que éramos “caipiras”, sabe? Ainda mais levando em conta que naquela época nem de cerveja eu gostava.

– Fique tranquilo. Nossa banda é geração saúde! Não bebemos e muito menos usamos drogas.

O motorista não acreditou muito no nosso discurso.

Continuamos o trajeto até o hotel. Uma cidade bastante tranquila e até certo ponto, para nós acostumados com São Paulo, abandonada. Se tratava de um final de semana de Carnaval. E bem diferente do que estávamos acostumados até então. Que o sábado, por exemplo, funciona como se fosse um dia útil.

Já no hotel, que estava absurdamente vazio. O nosso andar tinha apenas nós quatro hospedados, com cinco camas enfileiradas.

Já acomodados e de banho tomado, finalmente estávamos pensando em que faríamos até a hora do show. A passagem de som estava programada para as 17 horas, ainda restariam seis ou setes horas sem programação ou o que fazer.

Foi então que alguém teve uma ideia brilhante.

A proposta era de vir em velocidade, pelo corredor no andar do nosso quarto e tentar pular até a última cama. Lógico que isso não acabaria bem né?

Para facilitar a imaginação: um corredor de 15 a 20 metros de distância e cinco camas, coladas uma na outra. A pessoa teria que entrar correndo e saltar, tentando chegar até a última cama.

Após algumas tentativas frustradas. Enfim alguém conseguiu o objetivo. Estávamos em puro êxtase, celebrando e comemorando aquele feito!

E mesmo com o barulho que fazíamos (parecia gol do Brasil em Copa do Mundo), ninguém parecia estar perturbado. A sensação era de que estávamos abandonados naquele hotel. Não satisfeitos, resolvemos continuar com a irresponsável brincadeira.

E qual foi o prêmio disso? Uma cama quebrada e o chão do quarto riscado!

Refletindo sobre essa época, ainda bem não bebíamos nada alcoólico ou qualquer coisa do tipo. Se sóbrios, já éramos assim…

A passagem de som foi tranquila, afinal tratava-se de um processo simples. Eu gostava sempre de sair do palco e ficar distante, ouvindo todos os instrumentos e apesar de nunca ter feito nenhum estudo ou especialização a respeito, eu conseguia perceber quando o som estava homogêneo.

A noite se aproximava e aquela cidade, que durante o dia estava abandonada, se transformava! Apesar de época de Carnaval, o festival tinha o nome de “Grito Rock” e contava com várias bandas independentes, que buscavam seu lugar ao sol.

De onde saíram todas essas pessoas? Os bares já estavam cheios e com o nosso não foi diferente.

Detalhe sobre o show: neste dia tivemos a brilhante ideia de todos irem vestidos com uma camiseta vermelha e de calça jeans.

Que brega! Eu penso hoje.

Mas há dez anos achávamos aquilo realmente incrível! Por sorte não lembro de outros shows que fizemos isso!

Como éramos a única “banda de SP”, nossa apresentação acabou ganhando certa relevância. É engraçado lembrar que fora de SP éramos mais valorizados do que dentro. E isso não é uma crítica, apenas uma constatação de anos vivendo essa jornada.

O show em si foi bastante tranquilo! Tudo ocorreu conforme o planejado e a aceitação do público foi bastante positiva .A gente realmente se entregava no palco. Toda energia, sentimentos e dedicação ficavam ali, durante aaqueles 50 ou 60 minutos.

Eu sempre comentei com meus amigos ou com quem tenha me perguntado sobre os tempos de banda, que os shows, quase sempre seguiam assim. Vez ou outra alguma particularidade. O legal dessa fase da minha vida estava justamente em tudo que acontecia nos bastidores. Ensaios, discussões calorosas e essas aventuras eram riquezas e novas histórias.

Missão cumprida…

Após a apresentação, muita gente veio conversar conosco, parabenizar, pegar endereço de MySpace e Orkut, perguntar sobre CDs ou planos da banda. Era um momento muito divertido e hoje lamento muito por não ter aproveitado melhor.

O José de 30 aproveitaria muito mais do que o de 20 anos.

Mas que mer… é essa?

E em um desses bate-papos, uma garota veio nos agradecer pela apresentação. Muito do que nós utilizávamos como referências musicais ela também ouvia.

Ela estava encantada com o show e isso foi o suficiente para o namorado dela, um cara “4X4” e levemente embriagado, achar que alguém da banda e a moça tinham um caso.

Detalhe: estávamos os quatro integrantes conversando com o público juntos e a menos de 20 horas na cidade. A interpretação do brutamontes estava totalmente equivocada. E o pior de tudo:

A gente ainda demorou um pouco para entender o que se passava.

Foi então que um soco quase acertou o Rodrigo “Milk” e de repente uma correria tomou conta do espaço.

A música estava extremamente alta e a galera curtindo a noite. Já para nós, uma confusão. Por sorte, algumas pessoas do Staff fizeram a leitura correta da situação e correram para separar aquela quase briga, que possivelmente terminaria com a noite de todos.

Foram minutos tensos, que depois se tornariam motivos de risada no retorno à capital paulista.

Depois disso tudo, aproveitamos bem a noite, sempre perto dos seguranças do evento, que se preocuparam em nos proteger.

Afinal, tudo que menos queríamos naquela noite era uma briga.

Abaixo disponibilizo um link do Youtube, com um vídeo nosso, que contém alguns trechos dessa viagem para Maringá, desde trechos na Barra Funda, enquanto tentávamos uma solução para não perder a viagem, até mesmo nossa chegada à cidade paranaense e alguns momentos na VAN.

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